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A paralisação da extração de sal-gema impacta a economia de Alagoas?

13 de novembro de 2019 Blog

No quilômetro 66 da Rodovia AL 110, em Arapiraca, agreste alagoano, a empresa Araforros, uma das maiores fabricantes de forros, portas sanfonadas e revestimentos de PVC do Brasil, segue normalmente sua linha de produção e distribuição de produtos para todo o país.

No Corredor Industrial Godofredo de Abreu e Lima Primo, em Marechal Deodoro, a unidade industrial da Interlândia, fabricante de uma das marcas mais conhecidas de produtos de limpeza no Norte-Nordeste, a Dragão, continua a produzir água sanitária e outros produtos vendidos nos supermercados da região.

Na Avenida Governador Luiz Cavalcante, em Maceió, no bairro Tabuleiro dos Martins, a Plastec, fábrica de embalagens plásticas para alimentos, cosméticos e produtos de limpeza, mantém inalterada sua rotina no Polo Multissetorial.

Apesar de atuarem em cidades e segmentos diferentes, as três empresas acima representam uma pequena amostra de uma enorme cadeia econômica ancorada por matérias-primas produzidas em Alagoas pela Braskem em áreas diversas como produtos de limpeza, embalagens e produtos derivados de PVC e outras resinas.

“Somente no setor de plástico, estimamos que a Braskem seja âncora de 45 empresas com sede em Alagoas responsáveis por 5 500 empregos diretos e 14 mil indiretos”, diz Gilvan Severiano Leite, presidente do Sindicato das Indústrias de Plásticos e Tintas do Estado de Alagoas (Sinplast-AL) vinculado à Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). “Como a Braskem assumiu o compromisso de manter o fornecimento das matérias-primas para a cadeia, apesar da paralisação da planta de cloro-soda, seguimos normalmente nossa produção. Mas, claro, estamos preocupados quanto ao futuro não apenas para a nossa cadeia, como para toda a indústria alagoana que vive seu momento de maior retração”.

Desde 2016, com a crise no setor da indústria de transformação (que inclui usinas e destilarias), Alagoas se tornou o único Estado do Nordeste onde a participação da Indústria já ficou abaixo da agropecuária na composição do Produto Interno Bruto anual (PIB, soma de todas as riquezas produzidas – bens e serviços). “A retração de uma cadeia como essa seria o maior retrocesso da indústria alagoana desde meados da década de 1970, quando o desembarque da então Salgema trouxe uma alternativa econômica ao Estado”, diz o presidente da Sinplast.

 A extração de sal-gema e a industrialização de Alagoas

Em janeiro de 1970, quando a Petrobras decidiu transferir sua sede de Maceió para Aracaju (após a descoberta de inúmeros campos petrolíferos em Sergipe), os alagoanos (que protestaram até o último momento) encararam os projetos de extração de sal-gema como base de um novo polo cloro-químico que pudesse preencher o vácuo deixado pela perda do “polo petrolífero” para Sergipe.

Dois anos depois, em 1972, a futura Salgema Indústrias Química S.A. anunciava a industrialização do Estado em páginas dos mais importantes jornais e revistas do país. “O projeto Salgema marca uma nova era de minha empresa no Brasil”, afirmava em anúncio da então Revista Manchete o magnata da multinacional DuPont, Irénée Du Pont Jr, que à época tinha participação no projeto de extração de sal-gema para a implantação de uma planta de cloro-soda em Maceió em parceria com o empreendedor baiano Euvaldo Luz e suporte da Sudene e do então Banco Nacional de Desenvolvimento (atual BNDES), liderado por Marcos Pereira Vianna (veja reprodução).

Revista Manchete (Reprodução: Biblioteca Nacional)

Quatro anos depois, o projeto já era uma realidade.

Em visita a Maceió em 1976, o então presidente do Brasil Ernesto Geisel fez questão de ver pessoalmente a operação da planta que, no ano seguinte, produziria 250 mil toneladas de soda cáustica e 220 mil toneladas de cloro. “Ocupa hoje o Estado de Alagoas, apesar de sua reduzida superfície, papel importante, pelo elevado grau de desenvolvimento, pelo ritmo com que progride”, disse o então presidente Geisel após visitar a unidade da Salgema em Alagoas.

 Atração de novas empresas

A planta de cloro-soda sobreviveu a inúmeras crises econômicas nas décadas de 1980 e 1990, e foi somente após ser integrada à Braskem, constituída em 2002, já como a maior petroquímica da América Latina, que a unidade alagoana faria o Estado ingressar em um novo período de atração de empresas.

O grande marco econômico dessa fase foi o investimento na instalação da planta de PVC em Marechal Deodoro, em 2012, de mais de R$ 1 bilhão em valores do período. Com capacidade para produzir 200 mil toneladas de PVC por ano, a fábrica tornou Alagoas o maior produtor de PVC do Brasil, fortalecendo e atraindo uma série de novas empresas para a cadeia químico-plástico do Estado, como Krona Tubos e Conexões, Tigre, Corr Plastik.

Como a planta de PVC demanda matérias-primas produzidas pela unidade de cloro-soda, cuja atividade foi paralisada, a empresa passou a importar insumos para a manutenção da atividade das empresas locais.

“Sem o fornecimento da matéria-prima em Alagoas pela Braskem, restaria às empresas alagoanas importarem via, por exemplo, o Porto do Suape”, diz o empresário Manuel Marques, diretor geral da Joplas, com fábrica em Marechal Deodoro – além de outras no Distrito Industrial de Joinville, em Santa Catarina, e em Charqueada, interior de São Paulo. “Como isso resultaria em aumento de custos, dificilmente, contudo, essa alternativa seria sustentável no longo prazo”.

De acordo com secretário Estadual da Fazenda, George Santoro, a manutenção das atividades da Braskem em Alagoas é essencial não apenas para a cadeia químico-plástico, como para toda a economia local. “Acredito que, independentemente da atual paralisação da mineração, será possível encontrar saídas para manter as atividades da Braskem em Alagoas”, diz Santoro. “Até porque o impacto da Braskem se estende a empresas de outras cadeias e setores, como a Algás, por exemplo, que tem na Braskem o seu maior consumidor industrial”.

Palco geológico

A espessura da crosta nordestina ajuda a explicar os constantes tremores de terra na região

30 de outubro de 2019 Blog

No raio-x da geologia, a crosta terrestre brasileira revela-se como um extenso mosaico que alterna espaços de origem antiquíssima (maciços de granito) e amplas bacias sedimentares – depressão da superfície formada pelo acúmulo de sedimentos durante milhões de anos. Os terrenos formados durante a Era Cenozoica, iniciada há 66 milhões de anos, são de pequena espessura, mas de ampla distribuição horizontal.

Uma dessas áreas é a Província de Borborema, nome do imenso bloco rochoso que forma a maior parte do território nordestino. “A região Nordeste é um caso especial no Brasil, ela foi a última parte a se separar da África, o que levou ao estiramento da crosta e a criação de vários domínios de tensão na área”, explica Marcos Vinícius Ferreira, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

No mundo, em média, a espessura da crosta é de 40 quilômetros. Em regiões montanhosas, como no Himalaia, chega a 70 quilômetros. No Nordeste, segundo Reinhardt Fuck, geólogo da Universidade de Brasília, a espessura fica entre 30 e 35 quilômetros. “Isso significa que essa crosta foi muito estirada, afinada pelos processos tectônicos, é como se tivesse sido esticada como um queijo derretido puxado pelas extremidades”, explica.

O geólogo da CPRM Vladimir Medeiros compara a crosta do Norte com a do Nordeste, usando referências brasileiras para explicar o conceito.  “Onde há muita chuva, como na Amazônia, a água provoca erosão, tornando o solo mais espesso. Já, onde a rocha aflora, como na caatinga, o solo é mais fino”, ensina.

No Nordeste, também existem diversas falhas que estão ativas como a de Samambaia (RN) – a maior falha geológica do país. Essas combinações bem como o acúmulo de tensões ativas levam ao grande número de eventos que são registrados e, muitas vezes, sentidos pelos nordestinos. “Por exemplo na região de João Câmara (RN) ocorreu a sequência sísmica na década de 80 com o maior impacto à população. E este ano, está ocorrendo um enxame sísmico (grande número de eventos) em Quixeramobim-CE”, enfatiza Marcos Vinícius. Mesmo conhecendo a história geológica do Brasil, os especialistas não podem prever a localização dos abalos sísmicos como os que atingiram recentemente o município alagoano de Rio Largo.

Mosaico de solos

Em Alagoas, a região da Lagoa Mundaú, que banha a capital Maceió, fica sobre uma bacia sedimentar cheia de falhas e fraturas geológicas. Não por acaso, o alagoano de Viçosa Octávio Brandão (1896-1980), em sua clássica obra Canais e Lagoas, escrita entre 1916 e 1917, refere-se a registros de pequenos abalos sísmicos em Maceió e outras cidades no entorno da região lagunar.

Os atuais bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro fazem parte de um relevo de encosta da Lagoa Mundaú que se formou há milhares de anos, quando o estuário do rio Mundaú se transformou na atual lagoa – na verdade, uma laguna, já que se interliga com o mar.

Ou seja: um terreno sedimentar, sobre uma zona de fratura geológica, com presença de sumidouros (cursos d’ água que penetram no terreno), solo encharcado acentuado por problemas do sistema de drenagem, esgoto e adução – operação de abastecimento que desvia e conduz água na rede -, está exposto a grandes deslocamentos horizontais de terra capazes de provocar danos como o do bairro do Pinheiro. Por isso, apontar o processo de extração de sal como causa principal do fenômeno pode ser, geologicamente, uma simplificação.

Pesquisadores da Universidade de Houston (Texas, EUA) analisaram os dados do abalo sísmico do dia 3 de março de 2018 e indicaram que ele tem característica de terremotos de origem natural – não causada por atividade humana. Simulação realizada pelos mesmos especialistas com base em modelagem geomecânica computacional reforça essa tese. Esses dados revelam, por exemplo, que mesmo que todas as 35 cavidades formadas a partir de poços para a extração do sal-gema em Maceió tivessem desabado, o afundamento máximo do solo na superfície chegaria a pouco mais de meio centímetro (0,6 cm para ser mais exato) – isso, ao longo de um período de mais de 32 anos.

Como o afundamento real – ou “subsidência”, para usar o termo técnico – detectado na região é de 40 centímetros, ou seja, 67 vezes superior ao impacto estimado na simulação, os estudos indicam que algum outro mecanismo não relacionado ao processo de extração de sal-gema pode ter desempenhado papel dominante nos afundamentos.

Mas que mecanismo teria sido esse? Estudos técnicos mais aprofundados poderão responder.

A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) mantém estações no Brasil inteiro para registrar estas atividades. No Nordeste, as estações são mantidas pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) com apoio do Serviço Geológico do Brasil.

Sozinho na paisagem nordestina

Você nem imagina, mas o pico do Cabugi, no litoral do Rio Grande do Norte, é o único vulcão extinto no Brasil que conserva sua forma original intacta. Para alguns historiadores, o “pico-vulcão” pode ter sido o ponto de descoberta do Brasil, em 1500, fato sempre atribuído ao Monte Pascoal, na Bahia. A formação do solo nordestino é mesmo surpreendente.

Pico do Cabugi, RN. (Foto: Luciano Azevedo / Reproduçao)

Sal: precioso no passado, imprescindível para sempre

7 de outubro de 2019 Blog

O texto de estreia do blog do Integra.mcz conta como o sal tempera a história da humanidade

Primeiro, caríssimo leitor, vamos esclarecer. A química estuda diversos tipos de sais, sempre formados por um ácido e uma base, o mais conhecido, popularmente chamado de sal de cozinha, é o cloreto de sódio (NaCl). As fontes dessa substância estão no mar, jazidas subterrâneas, lagos e lagoas. O sal, mais do que realçar o sabor dos alimentos, é uma necessidade vital. Graças ao sódio, o organismo consegue transportar oxigênio, levar nutrientes, transmitir impulsos nervosos e mover músculos, inclusive o coração. O corpo de um adulto tem, em média, 250 gramas de sal.

O sal não apenas é uma substância essencial à vida como se tornou uma das matérias-primas mais importantes da história do homem: além de conservar alimentos, de seu processamento é possível obter o cloro (usado como bactericida, branqueador e oxidante), soda cáustica (importante base química em indústrias como a do papel) e dicloroetano (composto fundamental para a produção de PVC), entre outros. A cadeia produtiva da química e do plástico (CPQP) utiliza o sal-gema, mineral composto de cloreto de sódio.

No Brasil, o Espírito Santo tem a maior reserva do país. Mas, outros estados, como Amazonas, Sergipe e Alagoas têm depósitos de salgema. Em Alagoas, a descoberta do sal-gema, tido pelos especialistas como o de mais alta pureza em território nacional, foi por acaso. Em 1941, o Conselho Nacional do Petróleo instalou sondas para perfurar o solo nas áreas de mangue da Lagoa Mundaú, onde hoje está o campo do CSA. O resultado comprovou a existência de uma ampla camada de sal-gema. Sem petróleo, o governo federal não valorizou a descoberta, e só no início dos anos de 1960 os estudos geológicos para a exploração do mineral começaram. A extração feita pela empresa Salgema teve início em dezembro de 1975.

As reservas encontradas no estado permitiram a Alagoas diversificar sua indústria até então dependente apenas das usinas e destilarias para produção de açúcar e álcool.

Caverna de sal? Mitos e verdades sobre a extração de sal-gema

Recentemente, a extração do mineral, assim como durante sua descoberta “ao acaso”, virou notícia.  Em meio aos recentes eventos geológicos que atingiram os bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange uma série de informações, nem sempre precisas do ponto de vista científico, começaram a se difundir sobre a atividade de extração do sal-gema em Maceió. Uma das mais recorrentes seria a de que o processo de extração teria produzido imensos corredores de cavernas vazias no subsolo.

“Na verdade, essa imagem de ‘cavernas vazias’ está diretamente associada a um método de mineração subterrânea convencional mais comum quando as camadas de sal estão próximas da superfície”, diz o engenheiro de minas Paulo Cabral, especialista formado pela Universidade Federal de Pernambuco e diretor da Consalt Consultoria Mineral.

Esse seria o caso, por exemplo, das reservas de sal de cidades como Borth, na divisa da Alemanha com a Holanda, onde o sal é extraído utilizando-se praticamente o mesmo processo empregado para a mineração de carvão.

Em Alagoas, explica Cabral, a técnica é diferente e se dá por dissolução subterrânea, no qual poços são perfurados para injeção de água sob pressão para que o sal-gema seja extraído na forma de salmoura saturada em cloreto de sódio. Quando a extração de sal é paralisada, os poços subterrâneos ficam preenchidos com a salmoura, com densidade maior que a água, além de terem suas cavidades separadas por um pilar de sal. Também é mantida uma laje de sal, na parte superior, conferindo estabilidade ao volume espacial gerado pela extração. Além disso, essas cavidades salinas são periodicamente examinadas com um “eco-sonda” sonar, que revela sua forma e diâmetro, cujos dados são enviados regularmente para a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Salgema, na década de 70

“No lugar de uma caverna vazia, a imagem mais próxima seria a de uma garrafa pet formada por um invólucro de sal”, diz Cabral. Não à toa, esse invólucro faz com que essas cavidades sejam até utilizadas nos Estados Unidos e países europeus como depósitos para armazenar petróleo e gás.

Ainda que essas cavidades, por processos geológicos desconhecidos, possam ter sofrido abalos e desplacamentos, estudos recentes apontam que o impacto causado seria imperceptível na superfície – e nada compatível com os eventos observados no bairro do Pinheiro. Pesquisadores da Universidade de Houston, por exemplo, entendem que tremores de origem natural, falhas geológicas e má qualidade do solo não podem ser descartados como causas dos fenômenos do Pinheiro, Mutange e Bebedouro.

A Braskem contratou relatórios de especialistas, no Brasil e no exterior, porque busca entendimento sobre as causas dos eventos geológicos nos bairros e, sem a compreensão completa, não é possível apresentar ações e soluções adequadas.

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