7 de outubro de 2019

Sal: precioso no passado, imprescindível para sempre

7 de outubro de 2019 Blog

O texto de estreia do blog do Integra.mcz conta como o sal tempera a história da humanidade

Primeiro, caríssimo leitor, vamos esclarecer. A química estuda diversos tipos de sais, sempre formados por um ácido e uma base, o mais conhecido, popularmente chamado de sal de cozinha, é o cloreto de sódio (NaCl). As fontes dessa substância estão no mar, jazidas subterrâneas, lagos e lagoas. O sal, mais do que realçar o sabor dos alimentos, é uma necessidade vital. Graças ao sódio, o organismo consegue transportar oxigênio, levar nutrientes, transmitir impulsos nervosos e mover músculos, inclusive o coração. O corpo de um adulto tem, em média, 250 gramas de sal.

O sal não apenas é uma substância essencial à vida como se tornou uma das matérias-primas mais importantes da história do homem: além de conservar alimentos, de seu processamento é possível obter o cloro (usado como bactericida, branqueador e oxidante), soda cáustica (importante base química em indústrias como a do papel) e dicloroetano (composto fundamental para a produção de PVC), entre outros. A cadeia produtiva da química e do plástico (CPQP) utiliza o sal-gema, mineral composto de cloreto de sódio.

No Brasil, o Espírito Santo tem a maior reserva do país. Mas, outros estados, como Amazonas, Sergipe e Alagoas têm depósitos de salgema. Em Alagoas, a descoberta do sal-gema, tido pelos especialistas como o de mais alta pureza em território nacional, foi por acaso. Em 1941, o Conselho Nacional do Petróleo instalou sondas para perfurar o solo nas áreas de mangue da Lagoa Mundaú, onde hoje está o campo do CSA. O resultado comprovou a existência de uma ampla camada de sal-gema. Sem petróleo, o governo federal não valorizou a descoberta, e só no início dos anos de 1960 os estudos geológicos para a exploração do mineral começaram. A extração feita pela empresa Salgema teve início em dezembro de 1975.

As reservas encontradas no estado permitiram a Alagoas diversificar sua indústria até então dependente apenas das usinas e destilarias para produção de açúcar e álcool.

Caverna de sal? Mitos e verdades sobre a extração de sal-gema

Recentemente, a extração do mineral, assim como durante sua descoberta “ao acaso”, virou notícia.  Em meio aos recentes eventos geológicos que atingiram os bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange uma série de informações, nem sempre precisas do ponto de vista científico, começaram a se difundir sobre a atividade de extração do sal-gema em Maceió. Uma das mais recorrentes seria a de que o processo de extração teria produzido imensos corredores de cavernas vazias no subsolo.

“Na verdade, essa imagem de ‘cavernas vazias’ está diretamente associada a um método de mineração subterrânea convencional mais comum quando as camadas de sal estão próximas da superfície”, diz o engenheiro de minas Paulo Cabral, especialista formado pela Universidade Federal de Pernambuco e diretor da Consalt Consultoria Mineral.

Esse seria o caso, por exemplo, das reservas de sal de cidades como Borth, na divisa da Alemanha com a Holanda, onde o sal é extraído utilizando-se praticamente o mesmo processo empregado para a mineração de carvão.

Em Alagoas, explica Cabral, a técnica é diferente e se dá por dissolução subterrânea, no qual poços são perfurados para injeção de água sob pressão para que o sal-gema seja extraído na forma de salmoura saturada em cloreto de sódio. Quando a extração de sal é paralisada, os poços subterrâneos ficam preenchidos com a salmoura, com densidade maior que a água, além de terem suas cavidades separadas por um pilar de sal. Também é mantida uma laje de sal, na parte superior, conferindo estabilidade ao volume espacial gerado pela extração. Além disso, essas cavidades salinas são periodicamente examinadas com um “eco-sonda” sonar, que revela sua forma e diâmetro, cujos dados são enviados regularmente para a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Salgema, na década de 70

“No lugar de uma caverna vazia, a imagem mais próxima seria a de uma garrafa pet formada por um invólucro de sal”, diz Cabral. Não à toa, esse invólucro faz com que essas cavidades sejam até utilizadas nos Estados Unidos e países europeus como depósitos para armazenar petróleo e gás.

Ainda que essas cavidades, por processos geológicos desconhecidos, possam ter sofrido abalos e desplacamentos, estudos recentes apontam que o impacto causado seria imperceptível na superfície – e nada compatível com os eventos observados no bairro do Pinheiro. Pesquisadores da Universidade de Houston, por exemplo, entendem que tremores de origem natural, falhas geológicas e má qualidade do solo não podem ser descartados como causas dos fenômenos do Pinheiro, Mutange e Bebedouro.

A Braskem contratou relatórios de especialistas, no Brasil e no exterior, porque busca entendimento sobre as causas dos eventos geológicos nos bairros e, sem a compreensão completa, não é possível apresentar ações e soluções adequadas.

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